quinta-feira, 25 de julho de 2013

é noite em Notre-Dame-des-Lacs

Uma noite calma, enluarada, talvez primaveril, talvez estival; semi-panorama da aldeia de Notre-Dame-des-Lacs, no Quebeque; apenas uma casa com luz, numa água-furtada. Vinheta a vinheta, vamo-nos aproximando, entrando na casa, franqueando a loja, com a salamandra ao centro, apagada -- enquanto o narrador, Félix Ducharme, nos fala da sua vida parada nessa casa-armazém que foi dos pais e agora é sua, e no único desvio que essa existência parece ter conhecido -- Marie Coutu, rapariga que trouxe doutra aldeia. Vamos subindo as escadas, vemos uma foto de casamento, até nos aproximarmos, na última vinheta da segunda prancha, duma porta entreaberta, que dá para um interior iluminado -- a luz que se via na água-furtada nessa noite, enluarada e calma.

Lido pela primeira vez nas páginas da BoDoï, com gáudio (como assinalei aqui).

Loisel & Tripp, Armazém Central (2006), pranchas 1-2.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

a poesia dos quadradinhos #1 - Fernando Cabrita

entro no Sunflower / onde em dias de sol se vende uma sopa vegetal quente, / ou o Dr. Atomic e os Freak Brothers,

Fernando Cabrita, O Portão das Colinas do Nada -- (Poemas da Cidade de Londres),
Sintra, Câmara Municipal, 1988 



terça-feira, 16 de julho de 2013

lembro-me de Rascar Capac

Um panorama geral nocturno do Museu Nacional de História Natural, em Paris, por baixo a galeria de paleontologia. Hoje, 2013, um museu dentro do museu. (Eu já lá estive, e até me deparei com a vera efígie da especiosa Adèle Blanc-Sec). Estamos, porém, a 4 de Novembro de 1911. São onze e quarenta e cinco da noite. O ambiente é soturno. Tardi aproxima-nos, vinheta após vinheta, de um «Ovo de pterodáctilo (Fim do Jurássico) 136 milhões de anos. Ovo que começa a apresentar fissuras, para irromper na segunda prancha, dentro de uma vitrine que, ao quebrar-se nos prega um susto e faz lembrar uma outra, do arrepiante Rascar Capac (As Sete Bolas de Cristal). Adèle e o Monstro, pranchas 1-2.