O Cão que Guarda as Estrelas (2008)
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
BDteca. Joe Musial, OS SOBRINHOS DO CAPITÃO: a grande rebaldaria.
The Katzenjammer
Kids / Os Sobrinhos do
Capitão surgem em 1897 no New
York Journal. William Randolph
Hearst, magnata da imprensa, cometera a Rudolph Dirks (1877-1968) a
criação de uma série inspirada no livro de infantil de Wilhelm
Busch, Max und Moritz (1865).
Quando mais tarde Dirks se passa para o grupo do rival Joseph
Pulitzer, levando as personagens consigo, Hearst contratou Harold
Knerr (1883-1949) como substituto. E assim, dois jornais concorrentes
publicavam ao mesmo tempo e com o mesmo título as tropelias das mesmas personagens,
mas com autores diferentes – uma proeza digna de Hans e Fritz, os
dois sobrinhos... Em
tribunal, o juiz permitiu que ambas continuassem, mas obrigou Dirks
a mudar o nome, e The Captain and the Kids
ficou.
«Uma verdadeira
saga de destruição», escreveu o crítico brasileiro Marco Aurélio
Lucchetti na introdução a este livro de páginas dominicais saídas
entre 1957 e 1960, da autoria de Joe Musial (1905-1977). Cada página
com Hans e Fritz, Dona Chucrutz, a mãe, o Capitão e o Inspector é
um atentado à tranquilidade dos últimos, dois aposentados, com
doses equilibradas de estupidez e maldade. Bem sucedidos muitas
vezes, noutras os rapazes não se livram de uma tareia à antiga. O
êxito deve-se ainda ao exotismo do cenário – palmeiras e
coqueiros são omnipresentes –, situado numa colónia alemã da
África Oriental, onde não faltava um régulo sabido e, no original,
um inglês arrevesado com alemão, que exponencia o cómico das
situações. Com ingredientes politicamente letais, a série perdeu
espaço na América de hoje, terminando em 2006.
Os
Sobrinhos do Capitão
texto e desenhos:
Joe Musial
Editora Oprea
Graphica, São Paulo, s.d.
terça-feira, 13 de agosto de 2019
André Oliveira & vários autores, ALMANAQUE (2018): verdades essenciais
Noutros tempos, quando o país era eminentemente rural, um almanaque era, depois do missal, o breviário que encontrava guarida em todos os lares, concentrando numa mesma publicação tudo quanto era necessário à travessia do ano sem percalços, da meteorologia aos dias santos a guardar. Eça de Queirós, que escreveu sobre o assunto como ninguém, na apresentação do Almanaque Enciclopédico para 1896, falava de como estes livrinhos singelos mas profusos guardavam as «verdades essenciais que a humanidade necessita saber, e constantemente rememorar».
André Oliveira (Lisboa, 1982) – um
dos mais prolíficos argumentistas da BD portuguesa –, ao escolher para esta
colectânea o título Almanaque, teve, por certo, a intenção de espelhar
a diversidade de que o volume se compõe. São 24 «curtas de BD», algumas
inéditas, outras publicadas na revista Cais, em parceria com
outros tantos desenhadores: André Diniz, Rui Lacas, Phermad, Bernardo Majer,
Pedro Serpa, João Lam, Nuno Frias, Afonso Ferreira, João Vasco Leal, Luís
Louro, Patrícia Furtado, Miguel Andrade, Daniel Viçoso, Tiago Lobo Pimentel,
Selma Pimentel, Filipe Andrade, Darsy Fernandes, Catarina Paulo, João Sequeira,
David Cerqueira, Susana Resende, Susa Monteiro e Marta Teives. Parte destas
narrativas caracterizam-se pelo humor, cujos melhores exemplos serão
o nonsense garoto do díptico «Coisas que
o t-rex não consegue fazer» e «Coisas que o dentes-de-sabre não consegue
fazer», com desenhos de Pedro Serpa; ou ainda «Se Janeiro deixar» (com João
Sequeira), a lembrar os Gato Fedorento.
Mas o melhor André Oliveira surge,
quanto a nós, naqueles relatos em que perpassa uma melancolia fina, uma
angústia existencial insistente, em confronto com o sentimento
trágico da vida, a sua fragilidade, e que por isso mesmo procura
valorizar o que é verdadeiramente importante para si, denunciando um romantismo
que não vai bem com a modernidade suicidária que vivemos: a constância no amor,
os vínculos familiares, a fidelidade a si próprio, a memória da inocência,
quantas vezes ao sabor dos caprichos do acaso – outras verdades essenciais
que Eça estava longe de desconhecer, mas
que não tinham a primazia para o público, numa época que ainda não voltara
costas ao campo e se orientava pela regularidade das estações. «Mesmo assim,
abandonei-te» (com desenhos de Rui Lacas), «No meu lugar» (Filipe Andrade),
«Saudade» (Darsy Fernandes), «Nina» (Catarina Paulo) ou «Narciso» (Susa
Monteiro, também autora da capa), são alguns dos momentos inexcedíveis
deste livro.
Almanaque, Bicho
Carpinteiro, Lisboa, 2018
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segunda-feira, 12 de agosto de 2019
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
BDteca - Didier Daeninckx e Jacques Tardi, VARLOT SOLDADO (1999): Desenhar a morte
Jacques
Tardi (n. 1946) é um dos mestres da banda desenhada europeia,
um estilo único; mais do que herdeiro da linha clara de Hergé
e Jacobs, foi alguém que a transfigurou, tornando-a marca pessoal
imediatamente reconhecível. Neto de um soldado das trincheiras, a
Grande Guerra é um tema obsidiante neste autor, que, logo no
verso do frontispício, avisa-nos ao que vem: «Tenho a
impressão de que não podemos fugir à guerra. Mesmo nós, mesmo
hoje. / A guerra que mostro não é mais que o décor de 14-18, os
uniformes. / Acho que continua actual, o que me inquieta.» Neste
álbum, com argumento do romancista Didier Daeninckx (n. 1949), a
insanidade da carnificina do conflito mundial de 1914-18 aparece
carregada na sua crueza pela utilização magistral do preto e
branco, com terra e carne humana retalhadas pelos projécteis
arremessados por todas as bocas de fogo, abrindo crateras
no lamaçal da Flandres. Duas vinhetas por página são quanto basta
para a respiração do texto de Daeninckx: «Uma tonelada de pólvora
da casa Krupp destruiu tudo: os mortos, o pelotão, a pocilga onde
nos tinham fechado.» A trama, sendo simples, é rica, explorando os
quiproquós em que a comédia humana é fértil, aqui exponenciados
pelos desencontros da guerra, à rectaguarda: o hospital de
campanha, o bordel, os desertores com destino marcado. (Edições
Polvo, 2001)
terça-feira, 6 de agosto de 2019
José Ruy, A ILHA DO CORVO QUE VENCEU OS PIRATAS (2018): croudwriting
Quando atravessamos
talvez o melhor momento de sempre da BD portuguesa, pela profusão e
qualidade de desenhadores e argumentistas, é de elementar justiça
lembrar aqui o último abencerragem dos tempos heróicos das
histórias aos quadradinhos nacionais: José Ruy (Amadora,
1930), das páginas de O Papagaio, O Mosquito,
Cavaleiro Andante, Tintin, Spirou – até hoje.
Apaixonado pela História e pela sua divulgação, não por acaso, a
principal personagem que criou é o navegador Porto
Bomvento, a singrar pelos cinco cantos do globo; e dois dos
seus trabalhos mais marcantes resultem das adaptações em banda
desenhada da Peregrinação,
de Fernão Mendes Pinto e Os Lusíadas,
de Luís de Camões, a que podemos acrescentar as muitas monografias
sobre cidades e vilas do país, sem esquecer as várias biografias,
de Charles Chaplin a Dimitrov, reveladoras desse interesse. No campo
humorístico, o artista deu o seu contributo na que foi talvez a
melhor revista que por cá se publicou, o semanário Tintin.
Quem lhe percorreu as páginas, decerto não esquece a dupla de
repórteres Clique e Flash
deambulando pela redacção do hebdomadário, caricaturando com
imensa graça quem a produzia semanalmente, em especial Dinis Machado
e Vasco Granja, que nela tiveram influência decisiva.
Se
o crowdfunding é uma prática normalizada pela
comunicação das redes sociais, com A Ilha do Corvo que Venceu os
Piratas (Âncora Editora, 2018), José Ruy tornou-se
pioneiro do que poderemos chamar croudwriting, uma vez que a
narrativa teve a participação activa dos corvinos, na composição
deste relato de história antiga. No século XVII, aquela população
isolada fez frente, com êxito, a um ataque duma frota de dez
embarcações de piratas barbarescos – assim eram chamados os
salteadores marítimos baseados em Argel e em Túnis –, que
frequentemente empreendiam razias nas ilhas e no continente, em
especial no Algarve, saqueando e fazendo cativos, vendidos nos
mercados de escravos do Norte de África.
A
narrativa parece seguir de perto as fontes documentais de que o autor
lançou mão, por vezes com excesso de didactismo. Trata-se, porém,
duma BD clássica de autor histórico, que à História e aos
clássicos consagrou uma boa parte do seu labor. O traço
ágil de José Ruy conserva-se inalterado. As vinhetas iniciais da
primeira prancha são esplêndidas em movimento e cor, dando em cheio
a solidão da pequena ilha, exposta à inconstância dos elementos
naturais no meio do Atlântico, e o insulamento daquela população
entregue a si própria e a Deus, apenas lembrada pelo donatário,
quando este exigia o tributo anual. (Âncora Editora, Lisboa, 2018)
«Leitor de BD», jornal i
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sexta-feira, 2 de agosto de 2019
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
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