terça-feira, 28 de janeiro de 2020

...que me apetecem: Krypto

É o cão do Superboy, criado pelo argumentista Otto Binder e pelo desenhador Curt Swan, em 1955. E é também o nome de uma banda portuguesa tão autêntica quanto fora do mainstream, e cujo primeiro disco Eye18, sai agora sob a chancela da portuense Lovers & Lollypops e cujo texto de apresentação suculento, apresentando os três elementos que a constituem e o que pretendem, sustenta: «Gon encontra no baixo de Martelo e na bateria de Chaka as carruagens de fogo ideais para se lançar numa infindável lista de diatribes sobre isolação, alienação, corrupção, o vazio consumista deslumbrado com a tecnologia ou a cultura empresarial.» Um som «brutalista», adianta, com a beleza dos motins, escrevemos nós. Associada à Chili com Carne, de Cascais, o disco sai acompanhado de uma BD de Rui Moura, inspirada no som e nas palavras amotinadas dos Krypto. Co-edição com a Chili com Carne.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

livros que me apetecem - Champignac

As personagens da série Spirou e Fantásio têm-se autonomizado: primeiro foi o Marsupilami, que o criador, André Franquin, levou consigo quando abandonou as histórias do groom e do seu amigo repórter. Mais recentemente, foi a vez dos dois génios, do bem e do mal, terem direito a álbum próprio. O primeiro, Zorglub, criatura engendrada também por Franquin com Greg, está a cargo do espanhol José Luis Munuera; no ano passado foi a vez do estupendo Conde de Champignac, – outra criação a meias de Franquin, desta vez com Jijé, surgindo agora jovem, a contrariar com o seu cérebro privilegiado as maquinações dos nazis, e ao qual voltaremos. Os desenhos são de David Etien e texto de Béka – Béka, na verdade é um casal: Bertrand Escaich e Caroline Roque, uma francesa com apelido português… Enigma (Dupuis, 2019)


domingo, 26 de janeiro de 2020

livros que me apetecem - «Ladies»

Quem não gosta de Philippe Berthet, o desenhador de Pin-Up, aliás Dottie, a ingénua e vaporosa jovem saída da cabeça e da caneta de Yann, a passear perturbante candura pelas décadas de 1940-1950?; ou do extraodinário western one-shot Cães da Pradaria, com argumento de Philippe Foerster? O gosto do autor por belas mulheres, uma das suas notórias qualidades, encontra-se em Ladies, um álbum elegante (Dupuis, 2019).



quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

livros que me apetecem - Breccia

Um dos grandes nomes da historieta argentina (apesar de nascido no Uruguai), Alberto Breccia (1919-1993) ganhou nome mundial com a série Mort Cinder, com texto de Héctor Germán Oesterheld (1919-desaparecido em 1977). Breccia, um mestre do preto & branco e pouco compatível com o ‘mercado’, apesar do sucesso editorial, é objecto de um ensaio da autoria de Laura Caraballo, Alberto Breccia – Le Maître Argentin Insoumis (Éditions P.L.G., 2019).


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

livros que me apetecem - Marzi

Todas as oportunidades para falar de Marzi são de menos. Nem se percebe por que diabo nenhum editor português ainda lhe pegou. BD autobiográfica da polaca Marzena Sowa (Stalowa Wola, 1979), desenhada pelo marido, Silvain Savoya (Reims, 1969), decorre nos anos de chumbo do confronto do sindicato Solidariedade e a Igreja Católica com o Estado comunista, descrevendo o crescimento da protagonista numa sociedade radicalizada pela lei marcial e ameaças externas no contexto da Guerra Fria. Contada com inteligência e finura, trata-se de algo tão importante e significativo quanto, por exemplo, Persépolis, de Satrapi. Marzi une Enfance Polonaise – 1984-1989 (Dupuis, 2019).


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

um Astérix à la Goscinny

O génio combinado de Goscinny (1926-1977) e de Uderzo (n. 1927) marcou o imaginário do nosso tempo. O primeiro pertence, aliás, àquele grupo raro de autores cujas expressões entraram no quotidiano – “uma aldeia gaulesa”, aplicada a uma comunidade irredutível, incapaz de se normalizar, será o exemplo mais saliente, de resto muito usada entre nós nos tempos da Troika.
Depois de alguns anos em colaboração, e após o surpreendente 'chumbo' de Humpa-pá, o Pele-Vermelha num referendo aos leitores do Tintin belga, Goscinny e Uderzo criam este universo centrado no pequeno gaulês, apresentado no número inaugural da revista Pilote, em Outubro de 1959. A ideia é um achado: graças à poção mágica do druida Panoramix, cuja ingestão confere a quem a beba uma força sobre-humana, a aldeia consegue rechaçar os assaltos das poderosas legiões de César. As narrativas vão-se aprimorando logo a partir da segunda história, A Foice de Ouro, o traço de Uderzo como o humor de Goscinny; explorando o gag de actualidade, as referências históricas, recentes ou da Antiguidade, e um irresistível manejo dos equívocos e das idiossincrasias do género humano, atingem níveis elevadíssimos. Recordemos A Zaragata, O Domínio dos Deuses, O Adivinho, todos os restantes.
Após a morte inesperada de Goscinny, Uderzo lançou-se sozinho ao trabalho, com resultados desiguais, mas com a fasquia muito alta e por vezes vencida (O Grande Fosso, A Odisseia de Astérix, As 1001 Horas de Astérix) Retirado este, a grande responsabilidade de continuar coube a Jean-Ives Ferri (Mostanagem, Argélia, 1959) e Didier Conrad (Marselha, 1959), autores dos últimos quatro álbuns.
Este mergulho na história gaulesa, com uma suposta filha do chefe arverno Vercingétorix, derrotado por Júlio César na batalha de Alésia (52 a.C.), parece-nos plenamente conseguido, com Ferri a revelar-se pela primeira vez um verdadeiro émulo de Goscinny, o que, convenhamos, não é fácil. O aproveitamento recorrente do trauma de Alésia, fazendo com que o nome daquele chefe gaulês seja apenas sussurrado, é gerador de situações da maior comicidade, claramente goscinnyanas... Já Conrad não é Uderzo (ninguém é Uderzo), e ainda bem. As revisitações dos clássicos da BD franco-belga, caracterizam-se, nos casos mais conhecidos, por uma sujeição ao cânone (supomos que por imposições contratuais de diversa natureza), apesar de alguns avanços em relação aos originais, o que é importante, sob pena de cairmos numa mastigação sem grande interesse. É sempre difícil fazer ‘igual’ e bem, e bem melhor partir dos traços gerais de cada série com o(s) respectivo(s) autor(es). Na BD franco-belga não haverá melhor exemplo que o de Spirou. Conrad parece querer seguir o seu próprio caminho, e tão maior relevância poderá alcançar quanto mais se libertar da ‘tutela’ de Uderzo.
Astérix – A Filha de Vercingétorix
texto: Jean-Ives Ferri
desenho: Didier Conrad
edição: Asa, Alfragide, 2019




domingo, 19 de janeiro de 2020

livros que me apetecem - Vasco

Os admiradores desta série da linha clara criada por Gilles Chaillet (1946-2011), passada na Itália do século XIV, podem revisitar uma edição especial de Ténèbres sur Venice (1987) em preto e branco, seguido de um extenso dossier sobre a cidade dos doges na Idade Média, por Luc Révillon. Vasco – Ombres et Lumières sur Venise, Le Lombard, Bruxelas, 2019.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

livros que me apetecem - nas asas de hergé

A bibliografia sobre Hergé cresce em consistência. Biógrafo do criador dos Dupondt e argumentista de BD de alto coturno, Benoît Peeters publicou recentemente uma conferência em que revisita a personalidade do autor belga, procurando o homem na obra, com revelações inéditas, diz quem leu. Dans les Coulisses des Aventures de Tintin, Éditions Bayard, Montrouge, 2019.

livros que me apetecem -- a sobrinha do general

Geneviève de Gaulle-Anthonioz. Mulher admirável, Geneviève (1920-2002) foi uma resistente francesa à ocupação nazi e posteriormente uma activista contra a pobreza e a exclusão. Sobrinha do General de Gaulle, foi deportada para Alemanha e encarcerada no campo de Ravensbrück, vivência que relatou no magnífico A Travessia da Noite (1998), livro publicado entre nós pela Editorial Notícias. A sua vida é contada em BD por Coline Dupuy e Jean-François Vivier, com desenhos de Stéphan Agosto. Editions du Rocher. Mónaco, 2019.