É
o cão do Superboy, criado pelo argumentista Otto Binder e pelo
desenhador Curt Swan, em 1955. E é também o nome de uma banda
portuguesa tão autêntica quanto fora do
mainstream,
e cujo primeiro disco Eye18,
sai agora sob a chancela
da
portuense Lovers & Lollypops
e
cujo texto de apresentação suculento, apresentando os três
elementos que a constituem e o que pretendem, sustenta: «Gon
encontra no baixo de Martelo e na bateria de Chaka as carruagens de
fogo ideais para se lançar numa infindável lista de diatribes sobre
isolação, alienação, corrupção, o vazio consumista deslumbrado
com a tecnologia ou a cultura empresarial.»
Um som «brutalista», adianta, com a beleza dos motins, escrevemos
nós. Associada à Chili com Carne, de Cascais, o disco sai
acompanhado de uma BD de Rui Moura, inspirada no som e nas palavras
amotinadas dos Krypto. Co-edição com a Chili com Carne.
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
livros que me apetecem - Champignac
As
personagens da série Spirou
e Fantásio
têm-se autonomizado: primeiro foi o Marsupilami, que o criador,
André Franquin, levou consigo quando abandonou as histórias do
groom e do seu amigo repórter. Mais recentemente, foi a vez dos dois
génios, do bem e do mal, terem direito a álbum próprio. O
primeiro, Zorglub, criatura engendrada também por Franquin com Greg,
está a cargo do espanhol José Luis Munuera; no ano passado foi a
vez do estupendo Conde de Champignac, – outra criação a meias de
Franquin, desta vez com Jijé, surgindo agora jovem, a contrariar com
o seu cérebro privilegiado as maquinações dos nazis, e ao qual
voltaremos. Os desenhos são de David Etien e texto de Béka –
Béka, na verdade é um casal: Bertrand Escaich e Caroline Roque, uma
francesa com apelido português… Enigma
(Dupuis,
2019)
domingo, 26 de janeiro de 2020
livros que me apetecem - «Ladies»
Quem
não gosta de Philippe Berthet, o desenhador de Pin-Up,
aliás Dottie, a ingénua e vaporosa jovem saída da cabeça e da
caneta de Yann, a passear perturbante candura pelas décadas de
1940-1950?; ou do extraodinário western
one-shot
Cães da Pradaria,
com argumento de Philippe Foerster? O gosto do autor por belas
mulheres, uma das suas notórias qualidades, encontra-se em Ladies,
um álbum elegante (Dupuis, 2019).
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
livros que me apetecem - Breccia
Um
dos grandes nomes da historieta
argentina
(apesar de nascido no Uruguai), Alberto Breccia (1919-1993) ganhou
nome mundial com a série Mort
Cinder,
com texto de Héctor Germán Oesterheld (1919-desaparecido em 1977).
Breccia, um mestre do preto & branco e pouco compatível com o
‘mercado’, apesar do sucesso editorial, é objecto de um ensaio
da autoria de Laura Caraballo, Alberto
Breccia – Le Maître Argentin Insoumis (Éditions
P.L.G., 2019).
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
livros que me apetecem - Marzi
Todas as oportunidades para
falar de Marzi são de menos. Nem se percebe por que diabo nenhum
editor português ainda lhe pegou. BD
autobiográfica da polaca Marzena Sowa (Stalowa Wola, 1979),
desenhada pelo marido, Silvain Savoya (Reims, 1969), decorre nos anos
de chumbo do confronto do sindicato Solidariedade e a Igreja Católica
com o Estado comunista, descrevendo o crescimento da protagonista
numa sociedade radicalizada pela lei marcial e ameaças externas no
contexto da Guerra Fria. Contada com inteligência e finura, trata-se
de algo tão importante e significativo quanto, por exemplo,
Persépolis,
de Satrapi. Marzi
une Enfance Polonaise – 1984-1989 (Dupuis,
2019).
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
um Astérix à la Goscinny
O
génio combinado de Goscinny (1926-1977) e de Uderzo (n. 1927) marcou
o imaginário do nosso tempo. O primeiro pertence, aliás, àquele
grupo raro de autores cujas expressões entraram no quotidiano –
“uma aldeia gaulesa”, aplicada a uma comunidade irredutível,
incapaz de se normalizar, será o exemplo mais saliente, de resto
muito usada entre nós nos tempos da Troika.
Depois
de alguns anos em colaboração, e após o surpreendente 'chumbo' de
Humpa-pá, o Pele-Vermelha
num referendo aos leitores do Tintin belga,
Goscinny e Uderzo criam este universo centrado no pequeno gaulês,
apresentado no número inaugural da revista Pilote,
em Outubro de 1959. A ideia é um achado: graças à poção mágica
do druida Panoramix, cuja ingestão confere a quem a beba uma força
sobre-humana, a aldeia consegue rechaçar os assaltos das poderosas
legiões de César. As narrativas vão-se aprimorando logo a partir
da segunda história, A Foice de Ouro,
o traço de Uderzo como o humor de Goscinny; explorando o gag de
actualidade, as referências históricas, recentes ou da Antiguidade,
e um irresistível manejo dos equívocos e das idiossincrasias do
género humano, atingem níveis elevadíssimos. Recordemos A
Zaragata, O Domínio
dos Deuses, O
Adivinho, todos os restantes.
Após
a morte inesperada de Goscinny, Uderzo lançou-se sozinho ao
trabalho, com resultados desiguais, mas com a fasquia muito alta e
por vezes vencida (O Grande Fosso,
A Odisseia de Astérix,
As 1001 Horas de Astérix)
Retirado este, a grande responsabilidade de continuar coube a
Jean-Ives Ferri (Mostanagem, Argélia, 1959) e Didier Conrad
(Marselha, 1959), autores dos últimos quatro álbuns.
Este
mergulho na história gaulesa, com uma suposta filha do chefe arverno
Vercingétorix, derrotado por Júlio César na batalha de Alésia (52
a.C.), parece-nos plenamente conseguido, com Ferri a revelar-se pela
primeira vez um verdadeiro émulo de Goscinny, o que, convenhamos,
não é fácil. O aproveitamento recorrente do trauma de Alésia,
fazendo com que o nome daquele chefe gaulês seja apenas sussurrado,
é gerador de situações da maior comicidade, claramente
goscinnyanas... Já Conrad não é Uderzo (ninguém é Uderzo), e
ainda bem. As revisitações dos clássicos da BD franco-belga,
caracterizam-se, nos casos mais conhecidos, por uma sujeição ao
cânone (supomos que por imposições contratuais de diversa
natureza), apesar de alguns avanços em relação aos originais, o
que é importante, sob pena de cairmos numa mastigação sem grande
interesse. É sempre difícil fazer ‘igual’ e bem, e bem melhor
partir dos traços gerais de cada série com o(s) respectivo(s)
autor(es). Na BD franco-belga não haverá melhor exemplo que o de
Spirou. Conrad parece querer seguir o seu próprio caminho, e tão
maior relevância poderá alcançar quanto mais se libertar da
‘tutela’ de Uderzo.
Astérix
– A Filha de Vercingétorix
texto:
Jean-Ives Ferri
desenho:
Didier Conrad
edição:
Asa, Alfragide, 2019
domingo, 19 de janeiro de 2020
livros que me apetecem - Vasco
Os
admiradores desta série da linha clara criada por Gilles Chaillet
(1946-2011), passada na Itália do século XIV, podem revisitar uma
edição especial de Ténèbres
sur Venice (1987) em
preto e branco, seguido de um extenso dossier sobre a cidade dos
doges na Idade Média, por Luc Révillon. Vasco
– Ombres
et Lumières sur Venise,
Le Lombard, Bruxelas, 2019.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
livros que me apetecem - nas asas de hergé
A bibliografia sobre Hergé
cresce em consistência. Biógrafo
do criador dos Dupondt e argumentista de BD de alto coturno, Benoît
Peeters publicou recentemente uma conferência em que revisita a
personalidade do autor belga, procurando o homem na obra, com
revelações inéditas, diz quem leu. Dans
les Coulisses des Aventures de Tintin,
Éditions Bayard, Montrouge, 2019.
livros que me apetecem -- a sobrinha do general
Geneviève de
Gaulle-Anthonioz. Mulher
admirável, Geneviève (1920-2002) foi uma resistente francesa à
ocupação nazi e posteriormente uma activista contra a pobreza e a
exclusão. Sobrinha do General de Gaulle, foi deportada para Alemanha
e encarcerada no campo de Ravensbrück, vivência que relatou no
magnífico A Travessia da
Noite (1998), livro
publicado entre nós pela Editorial Notícias. A sua vida é contada
em BD por Coline Dupuy e Jean-François Vivier, com desenhos de
Stéphan Agosto. Editions du Rocher. Mónaco, 2019.segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
uma vinheta de Filipe Abranches
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