Mostrar mensagens com a etiqueta Alan Touring. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alan Touring. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de março de 2021

Champignac

 

Com uma série só sua que remonta aos tempos de juventude, o velho cientista Conde de Champignac, amigo de Spirou e Fantásio surge-nos agora como o jovem Pacómio Ladislau, sempre audaz e também romântico. Mas o tempo é de guerra, e enquanto que no primeiro tomo, como vimos, Champignac e a namorada, Blair, cooperam activamente com Alan Touring, desta feita são enviados em missão a Berlim para resgatar dois cientistas forçados a trabalhar no programa de pesquisas nazis. Além de encontrarem von Braun, o homem das bombas V (1 e 2), darão por si nos jardins do retiro de Hitler, em Berchtesgaden... Champignac – Le Patient A, por Etien e BeKa, edição Dupuis, 2021.

«Leitor de BD»

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Champignac apaixona-se


A guerra traz um manancial de histórias em que, do heroísmo individual à miséria humana, em campo de batalha ou num habitat de sobrevivência racionada, o ser humano é posto à prova. Mesmo no inferno há momentos de pequena felicidade ou evasão: Jaime Cortesão, Augusto Casimiro e Sousa Lopes arranjaram tempo e espaço, no meio da carnificina da Flandres, para um repasto de bacalhau, com couves e batatas numa horta improvisada por entre as trincheiras, assim descreve o primeiro nas Memórias da Grande Guerra (1919). O mesmo Cortesão que, «entre duas granadas», tirava do bolso um livro de poemas de Vigny, tal como Stefan, protagonista do Bosque Proibido (1971), de Mircea Eliade, levava os sonetos de Shakespeare para os subterrâneos, quando o blitz tomava conta do céu de Londres, para não se esquecer do obscurecido esplendor da humanidade em cada um de nós.
Pacómio de Champignac (Pacôme Hégésippe Adélard Stanislas, conde de Champignac), o excêntrico sábio das aventuras de Spirou e Fantásio criado por André Franquin e Jijé (o autor de Jerry Sping), encontrou o amor na guerra. A acção remete-nos para 1940. Champignac, vila fictícia situada perto da fronteira da França com a Bélgica, acaba de ser ocupada pelos invasores alemães, alojando-se o comando na morada o jovem conde. Trazem consigo uma misteriosa máquina chamada “Enigma”, que, com três módulos de encriptação diariamente alterados, tornam virtualmente impossível a decifração pelos ingleses dos códigos secretos. Ao mesmo tempo, Pacómio recebia um pedido de auxílio do cientista chefe de Bletchley Park, complexo a norte de Londres onde secretamente os serviços secretos britânicos reuniram um escol de matemáticos, linguistas, xadrezistas, campeões de palavras cruzadas e amantes de puzzles, procurando antecipar-se aos ataques desferidos pelas forças alemãs, decifrando-lhes os códigos. Aqui conhecerá uma adorável escocesa, e ambos vão trabalhar com Alan Touring, o génio da computação, perseguido no pós-guerra pela sua homossexualidade; irão também em missão com Ian Fleming, episódio em que ficamos a saber que os gadgets de James Bond foram na realidade inspirados pela mente engenhocas de Champignac…, e, naturalmente, serão recebidos pelo próprio Churchill.
Não sendo esmagadora, trata-se de um história escorreita e bem pensada pelo casal BéKa (Bertrand Escaich e Caroline Roque), desenhada e colorida, com notório entusiasmo por David Etien, cujas pranchas têm um excelente dinamismo. Destaque também para as piscadelas de olho à série-mãe: do soporífero cogumelo, com papel acrescido na série canónica, que o acompanha à Grã-Bretanha, aos provincianos champignacenses, em especial o risível e pernóstico presidente da câmara, terminando no Moustic Hotel, em Bruxelas, com uma discreta aparição do próprio Spirou.
Champignac – Énigma
texto: BéKa
desenho: David Etien
edição: Dupuis, Marcinelle, 2019