domingo, 21 de julho de 2019
quarta-feira, 1 de maio de 2019
sábado, 27 de abril de 2019
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Rómulo de Carvalho / António Gedeão, leitor dO Reizinho
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terça-feira, 8 de janeiro de 2019
sábado, 29 de dezembro de 2018
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
S-H & LL
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«A sala foi modificada. Os seus livros e as suas fotografias desapareceram, deixando as paredes despidas excepto pela ampliação de um herói da banda-desenhada: o Super-homem inclinando a cabeça enquanto é recriminado por Lois Lane.» J. M. Coetzee, Desgraça (1999)
terça-feira, 2 de outubro de 2018
Lois Lane
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| Ryan Sook, daqui |
«Quem lhe dera perder a visão de raio X que em tempos tanto invejou! Se ao menos fosse como o Super-Homem, que na presença de Lois Lane se tornava um ser normal!» Carlos Querido, «Real bodies«, Insanus, Lisboa, Abysmo, 2017, p. 68
sexta-feira, 20 de julho de 2018
esmurrar o Mickey
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| Paul Murry |
«"Há muito mais", disse Austin, "havia um amigo da família que tinha o Rato Mickey tatuado no peito e que pedia ao rapaz para bater na tatuagem, bate com força, com mais força, agora uma esquerda, agora uma direita, mete um crochet, mete um uppercut.» Dinis Machado, O que Diz Molero (1977)
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
António Franco Alexandre, o poeta enquanto Ignatz
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| George Herriman - imagem |
No preâmbulo de uma entrevista já com uns anos, a partir de alguns tópicos previamente enunciados, defende-se que a poesia de António Franco Alexandre «chama a si a fábula de Ignatz, o rato e Krazy Kat, a gata. A imensa distância que se disse sem palavras nem coisas faz do tijolo uma mensagem.» Posto diante do problema, o futuro poeta de Aracne assente: «Bom, o tijolo de Krazy Kat é a mais interessante forma de mensagem na garrafa, não é?» Inimigo Rumor #11, 201, entrevista de Américo António Lindeza Diogo e Pedro Serra.
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
a poesia dos quadradinhos #6 - José Luís Costa
«[...] Confesso que subtraí / da dita máquina / umas verbas para comprar // Homens-Aranhas, Incríveis Hulques, até / Superaventuras Marvel. // (Uma superaventura / é uma aventura / que precisa de mais páginas.) [...]
José Luís Costa, «Da Infância - 2. No Juiz da Fome», Da Madragoa a Meca, Lisboa, & etc., 2013
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| Mark Bagley (2013) |
ou
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| Daddy Q Ball (Fred Quihuis) (2003) |
domingo, 24 de janeiro de 2016
jogo de máscaras
Divertidíssimo, começar pelo título, um jogo de máscaras paródico da literatura policial negra / fantástica, pelas mãos de dois grandes nomes da BD franco-belga actual -- ambos já vencedores do Alph-Art do Festival de Angoulême --, Lewis Trondheim (A Mosca, entre outros) e Frank Le Gall (Teodoro Pintainho, entre outros). Eficácia narrativa em economia de meios.
Lewis Trondheim & Frank Le Gall, As Aventuras do Fim do Episódio, tradução de Rui Ricardo, Porto, Associação Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto, 1996.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
«um Zé Carioca»
| Zé Carioca, por Paul Murry |
«O carioca de hoje é uma declinação barroca do verdadeiro carioca: olheirento, falsamente festivo, mortificado pela obrigação de ser um carioca by the book, um Zé Carioca.»
Bruno Vieira Amaral, «Viver para sempre em Budapeste», Ler #138, 2015
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
à maneira do Lucky luke
| Lucky Luke, por Morris |
Paulo Castilho, Fora de Horas (1989)
terça-feira, 4 de agosto de 2015
12 linhas até ao Guarda Ricardo
«[...] No fim da tarde, Alexandra procura o seu carro e acaba "por descobri-lo em cima do passeio e junto à mesma árvore onde o deixara há quase um eternidade. Tinha uma multa por estacionamento proibido, afixada no "pára-brisas" (pag. 352). Tudo o que aconteceu foi real e tão pleno que o tempo se distendeu à aparência de eternidade; mas, por sob isso, há um quotidiano mesquinho, vigiado, impermeável à transgressão, que remete a eternidade mais jubilosa à eterna idade da ordem. Pelo menos, da ordem portuguesa -- porque não deve ser difícil adivinhar que o autuante deve ter sido o portuguesíssimo Guarda Ricardo.»
Luís Mourão, Um Romance de Impoder -- A Paragem da História na Ficção Portuguesa Contemporânea, Braga e Coimbra, Angelus Novus Editora, 1996.
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| Sam, O Guarda Ricardo (1975) |
quarta-feira, 24 de junho de 2015
17 linhas para Snoopy
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| Charles Schulz |
Mário de Carvalho, Quem Disser o Contrário É Porque Tem Razão, Porto, Porto Editora, 2014.
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domingo, 22 de fevereiro de 2015
6 linhas para Corto Maltese
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| Hugo Pratt |
«Esta é a cidade do espectro de Corto Maltese nas pontes suspensas e nos becos soturnos, do prenúncio de morte e da elegia do deboche, das gôndolas, dos senegaleses e dos pombos, dos japoneses e dos gondoleiros de boné, das arcadas vazias e das bacarie a rebentar pelas costuras, do improviso de andar perdido e ter sempre um ponto cardeal no fim do caminho.»
Tiago Salazar, As Rotas do Sonho (2010)
domingo, 8 de fevereiro de 2015
domingo, 1 de fevereiro de 2015
música & bd: Gilberto Gil, «Retiros espirituais»
Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas tão normais / Como estar defronte de uma coisa e ficar / Horas à fio com ela, bárbara, bela, tela de TV / Você há de achar gozado Barbarela dita assim dessa maneira / Brincadeira sem nexo que gente maluca gosta de fazer / [...]
É claro que Gil se refere à Barbarella de Vadim (Jane Fonda) e não a esta Brigitte Bardot estilizada. A verdade é que tudo começou com ela e com Jean-Claude Forest, em 1962. A música integra o esplêndido álbum Refazenda (1975).
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
domingo, 7 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
já foi tempo
Nem vale a pena gastar tempo a discorrer sobre o argumento deste Estrelas de Cinema!, pelos gags previsíveis (de há muito, de resto) e até indigentes. É possível que uma criança ainda esboce um sorriso ou solte uma gargalhada. Mas os agentes da T.I.A. já tiveram os seus tempos áureos, que, aliás, ninguém lhos tira.
F. Ibañez, Mortadela & Salamão -- Estrelas de Cinema!, tradução de João Silva, Porto,Edições Asa, 2005.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
despojos de guerra
A pareceria Bilal / Christin deu-me uma das melhores bd's políticas que já li: A Caçada. Neste álbum duplo, que reúne A Feira dos Imortais (1980) e O Sono do Monstro (1998), o autor sérvio está a solo como abordagens s-f- aos temas do totalitarismo e das guerras nacionalistas da antiga Iugoslávia como referência remota da narrativa.
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| http://littleblackspot.blogspot.pt/2003/10/enki-bilal-belgrado-1951-como-por.html |
A ficção científica não é bem my cup of tea, na BD e na literatura tout court, mas Bilal desembaraça-se a contento enquanto argumentista. Como desenhador, a sua personalidade artística é muito vincada e reconhecível.
Um dos aspectos mais interessantes desta co-edição reside, fruto da junção de duas narrativas que distam dezoito anos entre si, permitindo verificar a evolução estilística do artista -- como, de resto, é destacado na nota de apresentação: a um traço mais realista sucede-se um outro, mais elíptico e esfumado.
Enki Bilal, A Feira dos Imortais e O Sono do Monstro, tradução de Catarina Labey e Pedro Cleto, Porto, Edições Asa / Público, 2008.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
vivaço
De idade indefinida, à volta dos 8/9 anos, Titeuf é um miúdo vivaço e inconveniente; um reguila, em suma, misto do Calvin de Bill Watterson e do Pequeno Spirou, de Tome & Janry -- sem a poesia do primeiro ou a finura do segundo. Divertido, sem dúvida, mas, pelo menos nestes dois álbuns, falta o golpe de asa que caracteriza aqueles.
Zep, Titeuf -- As Miúdas Ficam Banzadas / N'É Nada Justo, tradução de Paula Caetano, Porto, Edições Asa / Público, 2008.
Zep, Titeuf -- As Miúdas Ficam Banzadas / N'É Nada Justo, tradução de Paula Caetano, Porto, Edições Asa / Público, 2008.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
50 álbuns: 17. Franquin & Jean Darc, O FEITICEIRO DE TALMOROUL (1950) -- um conde, um edil, um cigano -- um velho Spirou
Em O Feiticeiro de Talmourol (Il y A un Sorcier à Champignac, 1950), Spirou e Fantásio planeiam fazer campismo numa aldeia, cujo titular, o Conde Pacómio Hegésipo Adelardo Ladislau, em primeira aparição, será personagem de importância crescente na série, até hoje. As intervenções iniciais serão, porém, do cabotino presidente da Câmara, também em estreia, e de uma família cigana, por ele escorraçada, por antecipação de pilhagalinhagem.
O factor de comicidade é introduzido pelos novos semáforos que o maire manda instalar numa recta -- sem trânsito, mas isso só seria notado pelos inimigos políticos e do progresso, porque ele é que sabia, ele é que era o presidente da Câmara... A família cigana, de caravana, com o homem a pé, é admoestada por passar o sinal vermelho; para o conde, que transgride em sua dona-elvira, uma acentuada vénia, embora com fúria; dois ciclocampistas ajoujados com as pesadas mochilas pejadas -- Spirou e Fantásio --, esses sim, o edil vê neles a oportunidade de tirar desforço pelo atrevimento do desrespeito pelas regras de trânsito: "Alto! Seus garotos! Não vêem o sinal vermelho?!"
Franquin e Jean Darc (Henri Gillain), Spirou -- O Feiticeiro de Talmourol, tradução de Ricardo Alberty, Lisboa, Editorial publica, 1981, pranchas 1-2.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
50 álbuns: 16. Rosinski & Van Hamme, A FEITICEIRA TRAÍDA (1980) -- um início prometedor
Na névoa e na neve, um homem impele outro, manietado, em direcção a um rochedo à beira-mar, o anel dos crucificados, cujas argolas prendem os infelizes ali aferrolhados, condenando-os à morte por afogamento, com a subida da maré.
O carrasco é Gandalf, o Louco e a vítima Thorgal Aegirsson. Ambos se invectivam até que Gandalf, reagindo ao insulto, fere Thorgal no rosto.
No drakkar de Gandalf, uma jovem e bela mulher está amarrada ao mastro. É loira, é linda, é filha do Louco (na prancha seguinte saberemos o seu nome, Aaricia).
Trata-se do álbum de estreia (1980) de uma das grandes criações do belga Van Hamme e do polaco Rosinski, uma promessa que passados todos estes anos foi muito bem cumprida.
Rosinski & Van Hamme, Thorgal -- A Feiticeira Traída, trad. Marília Alves, Lisboa, Livraria Bertrand, 1983, pranchas 1-2.
O carrasco é Gandalf, o Louco e a vítima Thorgal Aegirsson. Ambos se invectivam até que Gandalf, reagindo ao insulto, fere Thorgal no rosto.
No drakkar de Gandalf, uma jovem e bela mulher está amarrada ao mastro. É loira, é linda, é filha do Louco (na prancha seguinte saberemos o seu nome, Aaricia).
Trata-se do álbum de estreia (1980) de uma das grandes criações do belga Van Hamme e do polaco Rosinski, uma promessa que passados todos estes anos foi muito bem cumprida.
Rosinski & Van Hamme, Thorgal -- A Feiticeira Traída, trad. Marília Alves, Lisboa, Livraria Bertrand, 1983, pranchas 1-2.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
a poesia dos quadradinhos #5 - Teresa Rita Lopes
«Os Capitães de Abril são / para os mais novos / jovens heróis de lenda / como o Homem Aranha!»
vinheta de John Romita
domingo, 30 de março de 2014
domingo, 23 de março de 2014
bem escrito
«A 31 de Dezembro de 1995, Calvin dizia para o seu compincha Hobbes que valia a pena ir explorar o mundo lá fora, para lá dos claustrofóbicos limites de uma tira de BD e da necessidade diária de ser simples inovador, original e divertido.
E na passagem sem contornos da neve, ambos deslizavam num trenó para não mais voltarem.»
António Rodrigues, «O homem que soltou a criança em todos nós», Público / Ípsilon #8742, 21.III.2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
50 álbuns: 15. Vernes 6 Forton, A ESPADA DO PALADINO (1967) -- Os rapazes tinham pressa.
A minha geração foi das últimas destinatárias de um certo tipo de produtos (para)literários juvenis assentes na aventura pura e dura, sem grandes pedagogismos à mistura. Havia uma designação que caravterizava muito bem esse segmento editorial: as "bibliotecas para rapazes". A Editorial Íbis, que publicou em álbum Astérix, Lucky Luke, Strapontam, tinha uma mais direccionada "Colecção Pilote", com as sagas de Bob Morane, Barba Ruiva, Tenente Blueberry (Fort Navajo) e Tanguy & Laverdure, ou seja: aventura e ficção científica; piratas; western; guerra, espionagem e aviação.
Embora o meu Bob Morane seja o de William Vance, A Espada do Paladino, história desenhada por Forton (com argumento de Vernes) foi uma das que marcou a minha infância. Começa no castelo de Morane na Dordonha, numa noite de bátega, em que, na companhia de Bill Ballantine, é surpreendido pela visita do seu conhecido Professor Hunter. Este, incapaz, devido a um acidente recente, de testar uma máquina do tempo de que é inventor, convida o herói para fazer o ensaio, com os riscos inerentes; convite aceite sem mais aquelas por Morane, para desespero de Ballantine, na última vinheta da segunda prancha (e que a abrir a narrativa se queixara de estarem ambos a enferrujar, pela inacção a que se tinham votado). Rapidez estonteante (na mesma prancha, o Prof. Hunter é recebido e o desafio aceite...). E tinha de ser mesmo assim, porque os rapazes que nós éramos, devoravam a revista ou o álbum (relidos muitas e muitas vezes nos anos que se seguiriam), para pegarem na bicicleta, dar toques na bola, descer uma rua num carrinho de rolamentos, dar um mergulho na praia (os que a tinham por perto) ou, até, jogar à pedrada... Os rapazes tinham pressa, e os mestres que escreviam, desenhavam e publicavam estes universos de sonho, sabiam-no.
Vernes & Forton, A Espada do Paladino, Venda Nova, Editorial Íbis, 1970, pranchas 1-2.
terça-feira, 4 de março de 2014
50 álbuns: 14. Godard, O EMIR DOS 7 BEDUÍNOS (1974) -- Às portas de Mandahmerh
Ainda é cedo para aparecer o fleumático Martin Milan, uma das mais sublimes criações da bd franco-belga, humanista e bem-humorada. Era mesmo daquelas que eu fazia questão de ter as histórias em duplicado, na revista Tintin, primeiro, e em álbum, depois.
Godard, Martin Milan -- O Emir dos 7 Beduínos, trad. Marília Alves, Venda Nova, Livraria Bertrand, 1979, pranchas 1-2.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
50 álbuns: 13. J. C. Mézières & P. Christin, O EMBAIXADOR DAS SOMBRAS (1975) -- desenhar o "nada"
Nunca fui adepto da ficção científica, demasiado gelada para mim. Excepção feita ao nobre agente espácio-temporal Valérian e a sua nada fria companheira, Lauréline.
Jean-Claude Mézières & Pierre Christin, O Embaixador das Sombras [1975], tradutor não identificado, Lisboa, Meribérica, s.d., pranchas 1-2.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
50 álbuns: 12. Will Eisner, O EDIFÍCIO (1987) -- o espírito do lugar
Tratam disto as duas primeiras pranchas de um dos livros da minha biblioteca de BD que mais prezo: O Edifício, do enorme Will Eisner (1907-2005). No prefácio a esta sua obra, Eisner diz-se convicto de que não é impunemente que estes imóveis acolhem vidas durante vidas: «[...] estou certo de que essas estruturas marcadas por risos e manchadas por lágrimas são mais do que edifícios inertes»; e o livro é também uma insurgência contra a depredação dum património cultural, arquitectónico, artístico e imaterial a que se assiste numa cidade. Nada mais eloquente do que a epígrafe de John Ruskin: «Os edifícios antigos não nos pertencem. Em parte, são propriedade daqueles que os construíram; em parte das gerações que estão por vir. Os mortos ainda têm direitos sobre eles: aquilo por que se empenharam não cabe a nós tomar.»
Will Eisner, O Edifício [The Building, 1987], tradução anónima, São Paulo, Editora Abril, 1989, pranchas 1-2.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
50 álbuns: 11. W. Vance & J. Van Hamme, O DIA DO SOL NEGRO (1984) -- um homem tatuado
Numa casa de praia na costa americana, Abe gasta as horas da reforma na pesca, em companhia do cão. Sally, a mulher, chama-o para o almoço, ao mesmo tempo que o cocker spaniel está inquieto, procurando atrair o dono para um local mais afastado das rochas, onde jaz o corpo de um homem ainda novo. Com ténues sinais vitais, Abe e Sally transportam-no até à moradia. O homem vai chamar uma médica, e Sally, procurando acomodar o estranho sinistrado o mais confortavelmente possível, detecta uma tatuagem por cima da clavícula.
Creio que, antes de XIII, apenas Fort Navajo, de Charlier e Gir, me haviam provocado tanto interesse nas categorias das bedês fleuve, de álbum para álbum, a ver como tudo aquilo se desenrolava. Não admira, pois, em ambos os casos estamos a falar de dois dos maiores argumentistas da bd franco-belga: Jean-Michel Charlier e Jean Van Hamme; e se Vance não é Giraud, teve a envergadura suficiente para lhe traçar um Blueberry.
W. Vance & J, Van Hamme, XIII -- O Dia do Sol Negro, tradução anónima, Lisboa, Meribérica / Liber, s.d., pranchas 1-2.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
repostagens: Boule, antes de Calvin
Boule e Bill, um rapazinho e o seu cocker spaniel, criação magnífica do belga Jean Roba, em 1959, foi uma das grandes séries da revista Spirou. Reli há pouco o primeiro álbum. Boule lembrou-me o seu congénere americano Calvin: ambos miúdos de palmo e meio, beneficiando da cumplicidade das respectivas mascotes, o bouleversement (desculpem, mas não resisti) do mundo adulto e dos seus códigos de conduta, uma notável disponibilidade do(s) autor(es) para estar(em) na pele duma criança, e simultaneamente uma grande inocência. Antes de se retirar, há cerca de dois anos, Roba escolheu Verron para lhe suceder. Boule e Bill são pouco conhecidos entre nós e estão inéditos em livro.
(publicado aqui)
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