segunda-feira, 30 de novembro de 2020

«Armazém Central»


Centrada no quotidiano de uma aldeia do Quebeque, Armazém Central é uma das mais belas séries de banda desenhada alguma vez publicadas, Iniciada em 2005 , os três primeiros álbuns foram publicados em Portugal pela Leya/Asa. Saem agora, com atraso, os tomos quatro e cinco reunidos num único álbum (critério discutível): Armazém Central – Confissões e Montréal, por Régis Loisel e Jean-Louis Tripp, Arte de Autor, Estoril, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

sábado, 28 de novembro de 2020

"Toma lá 500 paus e faz uma BD"


 Concurso promovido pela Chili com Carne, este ano distinguiu Rodolfo Mariano, com Bottoms Up, romance gráfico acabado de publicar. “ Depois de uma longa viagem, o Simão chega finalmente à grande cidade cheio de sonhos e motivação para vencer na sua nova vida.” Sim, e então?... É o que tentaremos ver numa das próximas semanas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Barelli, 70 anos


Criado há 70 anos por Bob de Moor (1925-1992) para a revista Tintin, Georges Barelli é um actor que se vê frequentemente em situações perigosas. O autor foi um lugar-tenente da linha clara de Hergé, o que diz muito, mas é insuficiente. Assinalando e efeméride, editora belga BD Must reeditou um pack com todos os sete álbuns das suas aventuras, mais extras.

«Leitor de BD», jornal i

terça-feira, 24 de novembro de 2020

uma rapariga estranha



Série iniciada em 1979 na revista francesa Circus, publicada pela editora Glénat, de Grenoble, logo granjeou a melhor atenção de público e crítica, sendo o autor, François Bourgeon (Paris, 1945) distinguido no ano seguinte com o Prémio “Alfred” (o pinguim de Zig e Puce) para melhor desenhador, no Festival de Angoulême. Os Passageiros do Vento revelam no mesmo autor o melhor que uma BD pode oferecer: um argumento consistente, um estilo rico, cheio de recursos e o modo criativo e dinâmico como a conjugação de texto e desenho se harmonizam numa prancha, processo que está para a BD como o enquadramento e a montagem estão para o cinema.

O tempo é o último quartel do século XVIII, pouco antes da Revolução Francesa; o espaço é o Oceano Atlântico, com algumas analepses relativas ao percurso da protagonista, a partir daqui uma figura icónica, personagem inesquecível da BD global. A Rapariga no Tombadilho é o primeiro de uma série de cinco álbuns publicados até 1984. A capa mostra-nos uma jovem e estranha mulher empoleirada à noite e à chuva no cordame dum barco que se adivinha de grande porte – uma forte imagem de apresentação duma nova BD. A bordo do “Foudroyant”, embarcação de 74 canhões da Marinha Francesa, capitaneado por Benoît de Roselande, um aristocrata pouco competente como marinheiro, duas jovens mulheres vão resguardadas da tripulagem, até serem avistadas fortuitamente por um grumete bretão, o rapaz Hoël. Agnes e Isa, duas aristocratas, uma rica outra pobre, a segunda acompanhando a primeira, não são quem dizem ser, mas estão amarradas a uma falsa identidade, por uma brincadeira que correu mal. A vítima e heroína é Isabeau, a rapariga da capa, insurrecta, aprendeu a usar de toda a manha, violência, argúcia e dissimulação que lhe permita sobreviver num mundo de homens, em que da mulher se espera apenas o exercício das funções de fêmea. Mas Isa não tem nenhuma dessas vocações, pelo contrário, é libérrima, o que dará ensejo ao autor de enveredar por um erotismo à época transgressor, embora elegante.

Um dos grandes méritos de Bourgeon é a forma como encaixa a informação histórica na narrativa, a erudição com que emprega os termos técnicos de navegação, não apenas no nomear de tudo o que compõe um grande veleiro de guerra, como também as manobras navais, incluindo táctica de combate. A informação flui com naturalidade, e é assim que podemos perceber as tensões sociais que anos mais tarde iriam desembocar na violência revolucionária dos sans-culottes, do povo-miúdo, ou o mundo antagónico que opunha tradicionalistas e iluministas, nos diálogos e picardias travados entre o capelão e o médico de bordo.

Bourgeon trabalha numa sequela centrada numa descendente de Isa, que já aqui noticiámos. Os Passageiros dos Vento é uma série cuja presença é imprescindível numa biblioteca essencial de banda-desenhada.


Os Passageiros do Vento – 1. A Rapariga no Tombadilho

texto e desenhos: François Bourgeon

edição: Meribérica / Liber, Lisboa, s.d.

domingo, 22 de novembro de 2020

«Balada para Sophie»


 

Um concurso de jovens pianistas, oriundos da mesma localidade, um de família rica, outro filho dum funcionário modesto, cruzam-se pela primeira vez em 1933, num concurso de jovens talentos, em que apenas um foi premiado. Em 1997, uma jornalista entrevista o primeiro, tecendo uma narrativa com a presença dum espectro tornado rival 64 anos antes. Texto de Filipe Melo – também pianista de jazz – e do argentino Juan Cavia. Edição Tinta da China, Lisboa, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

«Umbra» #2

 


Segundo número da publicação periódica pela editora do mesmo nome, com quatro histórias de fantasia e realidades alternativas: “O coração atómico de Jan”, do canadiano Simon Roy; «Camping Gás», de Pedro Moura, Filipe Abranches e Bárbara Lopes; “Duas espadas”, de Pedro Moura e Jorge Coelho; e “Os pesadões”, com nova legendagem, do malogrado Fernando Relvas (1954-2017).

«Leitor de BD», jornal i

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Pratt

 


Os Escorpiões do Deserto é outra série maior de Hugo Pratt, iniciada em 1969, logo após Corto Maltese. Apesar de reminiscências pessoais, familiares e dum precário domínio italiano em África, o relato é feito por Koinsky, um oficial polaco a combater com os ingleses. A Ala dos Livros está a publicá-la em três volumes, tendo saído o segundo, incluindo Um Fortim em Dancália e Conversa Mundana em Mulhoule.

«Leitor de BD jornal i

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

uma outra montanha mágica


 

Recém-chegado de uma ilha ignota a uma cidade sem nome em busca de trabalho, Mafaldo Limparrim encontra colocação como penteador de manequins numa discreta loja de miudezas, à Rua dos Parâmetros Assertivos. O dono passava a maior parte do tempo na vilória do Poço Novo, numa encosta de montanha, da qual se dizia os ares serem pouco saudáveis. Quando Mafaldo vai de encontro ao patrão à cata de instruções, começa também uma viagem de eléctrico por um novo mundo que os quadradinhos portugueses até agora ignoravam, ciceroneado pelo lápis e pelas palavras de Paulo J. Mendes (Porto, 1965), autor e fanzinista durante 30 anos afastado da BD, mas não desligado das artes visuais, e cujo gosto retomou quando mão amiga fez chegar umas quantas novelas gráficas, género consagrado principalmente por Will Eisner.

Na apresentação, Mendes dá-nos o grande plano da narrativa: “Um território imaginado de contornos perfeitamente definidos, um punhado de situações surrealistas, e algumas peripécias vagamente baseadas em vivências reais, tudo temperado pelo gosto por paisagens e arquitecturas pitorescas, arte sacra e talha barroca, os eléctricos desde sempre acarinhados e sem esquecer a evocação, transpondo para o plano da fantasia, duma fascinante e estranha capela perdida – sim, existe mesmo – enigmática e quase tumular, com a qual tinha dado de caras há uns anos a percorrer certas serranias do Alto Minho.”

Mafaldo sobe de eléctrico (em vez de descer…) ao Poço Novo, tímido e receoso dos tais maus ares, pois quem de lá vem chega sempre num estado alterado de consciência, o que não é de admirar, já que nessa vila come-se bem (favas com chicória é o prato típico) e bebe-se melhor (o célebre “licor garganta”, do pároco); além disso, em cada esquina um amigo, e na porta em frente a possibilidade de uma cama com companhia. É todo um novo patamar de relacionamento humano que se abre ao protagonista, Hans Castorp virado do avesso sem divagações sobre o Tempo ou colóquios de filosofia política.

O Poço Novo é uma espécie de paraíso terreal de que as autoridades se esquecem; o lugar dá-se bem sem a autoridade. Não obstante, os seus representantes acabam por ser compelidos à vez pelo grupo de pândegos a conhecerem o que vale a pena. “Salsicho” o autarca, os soberanos Gelásio e Purgantina e o próprio pontífice Dligberto, cada qual em seu eléctrico (popular, real ou papal) rumo àquele torrão edénico parado no tempo. Mas o melhor achado é Atrofiel, o anjo-da-guarda estagiário recolhido na igreja de S. Barnabilro, que se empenha com pundonor em assegurar a felicidade de Mafaldo, pese embora a falta de competência.

O penteador é um delírio a ser lido, um microcosmos pessoal, um osso que o autor não deveria largar.


O Penteador

texto e desenhos: Paulo J. Mendes

edição: Escorpião Azul, Lisboa, 2020

«Leitor de BD», jornal i

domingo, 15 de novembro de 2020

Ellis Island

 


Porta de entrada dos imigrantes europeus nos Estados Unidos da América, para alguns barreira inultrapassável e de recambiamento. Uma abordagem tão crua como esplêndida, num álbum a que dedicaremos mais atenção. Tomo 1, Bievenues en Amérique!, texto de Philippe Charlot, desenhos do polaco Miras. Edição Grand Angle, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Karmela Krimm


 

Outra série que começa, com argumento do consagrado Lewis Trondheim e desenhos de Franck Biancarelli. Karmella Krim era uma promissora agente policial em Marselha, até que um incidente grave envolvendo um figurão local resultou em despedimento. Karmela não se afasta da cidade nem do crime, tornando-se detective particular. Tomo 1: Ramdam Blues, edição Le Lombard, Bruxelas, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

quadrinhos contra o preconceito


 Jeremias, o menino negro da Turma da Mônica, objecto de releitura na colecção “Graphic MSP”, como tem sucedido com as restantes personagens de Maurício. Nova edição de um livro publicado em 2018, texto de Rafael Calça, desenhos de Jefferson Costa, mostrando as adversidades por que passa Jeremias – e com ele todas as crianças na mesma situação –, devido à cor da pele, e de como a ultrapassou. Jeremias – Pele, Panini, São Paulo, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

terça-feira, 10 de novembro de 2020

um ícone gaúcho


 

O local encerra o universal. Jorge Amado, o mais universal dos escritores em língua portuguesa, fez com que a Baía e o seu povo fossem apreciados por leitores de todos os azimutes, um marinheiro de Sebastopol, um surfista de Queensland ou uma secretária de Turim, por exemplo. Quando pegamos numa personagem como Macanudo Taurino Fagunde, gaúcho da campanha, com um rebenque (chibata de couro) numa mão e uma cuia com chimarrão na outra e largo poncho vestido, podemos experimentar dificuldades numa primeira leitura. Mas não será por isso, com um dicionário à beira de um clique, que nos afastará desta personagem hilariante, num português brasileiro contagiado por castelhanismos.

Neltair Rebés Abreu (Santiago, 1950), adoptou como nome artístico o topónimo da cidade natal, perto da fronteira com a Argentina. Criado em 1976 e publicado pelo jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre, como comentário à actualidade, o Macanudo mostra de onde vem, não apenas pela indumentária como pela aparência, inspirado na figura do grande folclorista gaúcho Paixão Côrtes e pelos conhecidos e familiares do autor: um tio característico, uma reminiscência de infância ou uma personagem popular. Daí que a abordagem de Santiago a Macanudo e companhia pelo humor seja benévola, mesmo quando crítica. Taurino é um anti-herói boa praça nado e criado por entre o gado (o Brasil é o maior produtor mundial de bovinos), simplório, inculto, terra-a-terra, tradicionalista pouco afeito a modernices. Pode sair da pampa mas a pampa não sai dele… Com um traço ágil, lembrando o de Augusto Cid, Santiago retrata a sua criatura com profunda empatia, pois, no fundo, está a falar dos seus, da sua gente. Se o humor nesta colectânea de tiras e cartoons é distendido e bonacheirão, subjaz-lhe também uma subtil crítica aos poderes instituídos, em especial o militar. Recorde-se que uma parte deste trabalho foi elaborado durante os 21 anos de ditadura (1964-1985). E depois há a miséria, a desigualdade, e o desinteresse, a invisibilidade da pobreza demasiado presente. João Cabral de Melo Neto lembrou que na década de 1940 as senhoras do Recife faziam camisolinhas para a Índia, quando a esperança média de vida ali era superior à de Pernambuco.

Dois cartoons em páginas contíguas demonstram diferentes maneiras de fazer humor com o problema da terra e dos latifúndios: uma família “favelada”, esquálida, é rodeada por um agrário, capangas, armamento ligeiro e pesado, justificando-se ao atarantado delegado que estava a sentir-se ameaçado – um registo muito à Quino, aqui fica a homenagem. Na página ao lado, o latifundiário tem quase uma apoplexia quando ouve o papagaio palrar “reforma agrária”, indignado com a “bandalheira” que haviam ensinado ao bicho, enquanto o Macanudo faz cara de anjo. É deste equilíbrio, entre o estereótipo e o humor mais crítico, que Santiago torna o seu Macanudo Taurino Fagunde um boneco com especial relevo.


O Melhor do Macanudo Taurino

texto e desenhos: Santiago

edição L&PM, Porto Alegre, 1997

«Leitor de BD», jornal i

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Mademoiselle J.


 

Uma das melhores BD’s lidas este ano, de que falaremos com pormenor em próximas semanas. A acção decorre em Paris, em 1938, não apenas no conhecido quadro de tensão europeia que desembocaria em guerra no ano seguinte, mas também durante a exposição universal que a cidade-luz acolhera nesse ano. Como protagonista uma jovem estagiária de jornalismo. O argumento é de Yves Sente (Blake e Mortimer, Thorgal, XIII) e os desenhos de Laurent Verron (Boulle e Bill). Mademoiselle J – Je ne Me Marierai Jamais, edição Dupuis, Marcinelle, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

domingo, 8 de novembro de 2020

«Ermal»


Com o quarto livro, intitulado Ómega e Alfa termina esta série aliciante da autoria de Miguel Santos, em que, num exercício de “história alternativa”, após um enfrentamento nuclear entre Estados unidos e União Soviética no solo europeu, o 25 de Abril nunca teve lugar e Angola, ou melhor dizendo, a “Cidadela” (Luanda), passa a ser o centro de operações de um império desarticulado. Edição Escorpião Azul, Lisboa, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

uma bruxinha e o seu gato

 


Pepper é uma feiticeira adolescente e tem um gato, Carrot, que a acompanha nas aventuras num mundo encantado, com castelos, poções, dragões e outros seres imaginários. Para crianças e para que não se esqueceu de sê-lo. Pepper & Carrot – Vol- 1, de David Revoy, edição FA, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Tex, um amigo dos índios


 

O livro de hoje fala-nos de um herói conhecido pela sua amizade e solidariedade para com os índios. É inclusivamente chefe honorário dos navajos, que chamaram “Aguia da Noite”. Trata-se de Tex,, membro dos Texas Rangers, série italiana criada em 1948 pelo argumentista Gian Luigi Bonelli (1908-2001) com desenhos de Aurelio Galleppini (1917-1994). Dezenas de argumentistas e desenhadores passaram desde então por aqui, italianos na maioria, mas também outros para lá da bota, como Joe Kubert, Colin Wilson, Jesús Blasco, Victor de la Fuente ou Jordi Bernet.

Tex nem sempre teve entre nós a difusão que hoje conhece. Chegava em revistas brasileiras de pequeno formato, a preto e branco, sem o atractivo dos westerns franco-belgas, publicados a cores e em álbum. Para o jovem leitor de há 40 anos, pareciam-se com aquelas edições uma bocado manhosas da Agência Portuguesa de Revistas. As coisas começam a mudar a partir de 2006, graças à criação do “Tex Willer Blog”, mas passariam ainda três anos até que uma primeira edição portuguesa ocorresse: Tex Contra Mefisto (de Bonelli e Galleppini),

Capitan Jack, de Tito Faraci (Galarate, Varese, 1965) e Enrique Breccia (Buenos Aires, 1945), cujo apelido evoca o seu pai, Alberto (1919-1993), um dos criadores de Mort Cinder, um marco da BD mundial, é o último volume publicado pela Polvo na colecção “Tex – Novela Gráfica”. O argumento de Faraci é linear: a acção passa-se entre 1872 e 1873, centrado na rebelião dos índíos Modocs, pequena tribo localizada na fronteira entre a Califórnia e o Oregon, caçadores, guerreiros e também traficantes de escravos. Ludibriados pelas autoridades, são colocados numa reserva com uma tribo adversa e mais forte, até que o chefe Kintpuash, também conhecido por Capitão Jack, se subleva e acantona nas Lava Beds, inexpugnáveis formações geológicas tornadas entretanto monumento nacional. Este é o fundo histórico em que Tex intervém, com os tradicionais ingredientes de bravura ou traição, narrativa fluida, cuja maior originalidade será a de pôr em campo uma tribo que não costuma aparecer. O episódio foi contudo trágico, e está incluído na relação das Guerras Índias (1865-90). Tex é uma personagem plana, sem grandes estados de alma ou contradições; herói sem mácula, neste particular uma espécie de Lone Ranger (O Mascarilha) desvelado.

A arte de Enrique Breccia é plena de virtuosismo, com um dinamismo fulgurante nos vários planos que cada vinheta assume em função da narrativa. Os detalhes são ricos e um regalo para os olhos. Pormenores como folhas caindo sempre que a acção se desenrola perto do bosque que circunda uma quinta onde tudo começa, dão uma intensidade e um pathos que não se esquece. A expressividade dos traços fisionómicos é assinalável, embora por vezes nos pareça que Breccia carrega as tintas.


Tex – Capitan Jack

texto: Tito Faraci

desenhos: Enrique Breccia

edição: Polvo, Lisboa, 2018

«Leitor de BD», jornal i

Barba Ruiva

 


O flibusteiro que comanda o “Falcão Negro”, personagem mítica da pirataria desenhada, criada em 1959 por Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon para a revista Pilote, está de regresso e em maus lençóis, na companhia do filho adoptivo, Eric, Três-Pernas, o poliglota, e Baba, um colosso negro. Todos os conhecemos, no original ou através da paródia que deles fizeram Goscinny e Uderzo. Les Nouvelle Aventures de Barbe-Rouge – Pendu Haut et Court, texto de Jean-Charles Krahen, desenhos de Stefano Carloni, Dargaud, Paris, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Lucky Luke


Agora, com tanta reescrita e reinvenção do cowboy que dispara mais rápido que a própria sombra, um álbum canónico, desenhado por Achdé com argumento de Jul. A acção decorre na Luisiana, e damos por Lucky Luke como proprietário de uma enorme plantação de algodão. Proprietários que pensam tratar-se de um dos seus, cajuns (os franceses da região, expulsos pelos ingleses do Canadá, no século XVIII e ali fixados) que irão dar-lhe água pela barba, e os Dalton, claro. Ao lado de Luke, está Bass Reeves, o primeiro marshall negro dos Estados Unidos... Chama-se a isto aproveitar a oportunidade dos tempos que correm. Se a história for boa, mal não haverá. Un Cow-boy dan le Cotton, Dargaud, Paris, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Bordalo, confinado



 

Se Stuart Carvalhais (1887-1961) é o pioneiro dos quadradinhos, Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) é o precursor. Um exemplo é este relato em imagens sequenciais, No Lazareto de Lisboa (1881), agora reeditado, Mas já na década anterior publicara uma sátira a propósito de viagem de D. Pedro II,: Apontamentos de Rafael Bordalo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Raslib pela Europa (1872). Artista de génio, irmão de um outro (Columbano, 1857-1929), como se luz rasante e sombra carregada, tão diferentes foram. A Rafael se deve a criação do retrato arquetípico e pouco lisonjeiro do português, em 1875: o Zé Povinho, de mãos nos bolsos ou manguito disparado e riso alvar.

Nesse ano, Bordalo parte para o Brasil a tentar a sorte, regressando em 1879, sem dinheiro mas com sacos cheios de experiência e histórias para contar; mas a principal viveu-a em Lisboa. À chegada, com uma pandemia de febre amarela assolar a antiga colónia, o artista é recambiado para o Lazareto, situado em Porto Brandão, cujo edifício se encontra hoje em ruínas: “ao pousar o pé no torrão natal, no momento de estender os braços à imagem querida da pátria, em vez de ser apertado pelos braços amigos, fui apertado pelos guardas de saúde e metido no lazareto”, recordou no prólogo deste curto álbum.

A narrativa tem três partes: “Recordações”, “A partida” e “No Lazareto”. A aventura brasileira gorou-se, mas o registo é empático, por vezes entusiasmado, outras cáustico. Seria interessante saber se Bordalo trocou algum bate-papo com o grande Machado de Assis, cuja mulher era irmã de Faustino Xavier de Novais, poeta satírico e grande amigo de Camilo, também ele imigrado no Rio... A Rua do Ouvidor esplende no torvelinho de comércio e gente, a capoeira mexe e o assalto já então vicejava. O Primo Basílio passeia-se por lá amparado por duas coquettes. Já a Lisboa vista do confinamento surge mazorra como o país, “estirado à sombra da fresca laranjeira”, e Rafael a olhá-lo de mãos nos bolsos, à maneira da imortal criatura que engendrou.

Retratos do povo, da burguesia, das elites e da classe dirigente, cá e lá. Umas identificadas (D. Pedro II, imperador do Brasil, o folhetinista Júlio César Machado), outras por identificar como o inevitável António Maria Fontes Pereira de Melo, cujo nome de baptismo lhe serviu para um dos mais assinaláveis jornais humorísticos da história da imprensa portuguesa, O AntónioMaria (1879-1898).

A edição actual nem sempre apresenta a melhor reprodução de imagem; mas sendo uma raridade bibliográfica, e uma obra gráfica de um dos maiores espíritos críticos do Portugal oitocentista, é sempre melhor tê-la do que não. Para os curiosos, está também acessível no sítio Hemeroteca. Como diria alguém a quem o humor não era estranho, confinamentos há muitos.


NoLazareto de Lisboa

Texto e desenhos: Rafael Bordalo Pinheiro

co-edição Museu Bordalo Pinheiro e Pim! Edições, Lisboa, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

terça-feira, 27 de outubro de 2020

que dois...

 



Um casal na casa dos 30, antes amantíssimos hoje separados e detestando-se, continuam a gerir o restaurante que haviam aberto quando era felizes. Fumetto italiano, os autores são conhecidos por cá. Tito Faraci, argumentista, entre muitos outros, de Mickey e Dylan Gog; Silvia Ziche nos desenhos, também autora consagrada dos fumetti Disney, e de Lucrezia, uma deliciosa balzaquiana ansiosa. Quei Due, Sergio Bonelli Editore, Milão, 2020.



«Leitor de BD», jornal i

domingo, 25 de outubro de 2020

passageiras de noite

 


Na Paris ocupada pelos nazis, Arlette sente-se livre, pois acaba de sair da prisão; Anna, ilusionista acha-se mais protegida no cabaré em que trabalha. As circunstância adversas na agora obscura cidade-luz irão aproximá-las. Deux Passantes dans la Nuit, texto de Patrice Leconte e Jerôme Tonerre, desenhos de Al Coutelis, Grand Angle, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

sombra e silêncio



Nascido durante a ocupação alemã, desta vez na Bélgica, pai de origem alemã e mãe francófona, Didier Comès (aliás Dieter Hermann Comes,1942-2003), considerava-se um bastardo de duas culturas. Autor de um dos grandes livros da BD europeia, Silêncio, narrativa publicada em 1979 na mítica revista (À Suivre) e entre nós no semanário Tintin, entre outras obra marcantes, Comês é objecto de uma monografia de Thierry Bellefroid, Comès, d'Ombre et Silence. Edição Casterman, Tournai, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

domingo, 18 de outubro de 2020

«As Conspirações do Grão-Vizir Iznogoud»


 

Quanto a nós, a grande personagem de René Goscinny é Iznogoud, o pérfido grão-vizir (primeiro-ministro) do bondoso califa de Bagdade, Haroun-el-Poussah, ambos passados ao papel pelo desenhador Jean Tabary (1930-2011). O talento da dupla confluiu para a criação de uma figura inesquecível: um olhar vivo e mau numa cabeça que parece um binómio com soluços, um símbolo depravado do yin e yang taoísta assente num corpo de metro e meio e um nome que diz tudo. Sempre acolitado por um sicário chamado Dilat Larat, Iznogoud tem a obsessão de querer ser califa no lugar do califa, e para tal não olha a meios.

A série surge em 1962 num semanário sem grande história, e a apresentação trazia logo a marca humorística de Goscinny na sua designação: As Aventuras do Califa Haroun-el-Poussah... um nababo de rosto sonolento e aparvalhado, sempre solícito para com as ideias do “seu bom Iznogoud”. O recurso desabusado ao trocadilho, os impasses criados pelo cómico de situação, a inigualável vileza, levaram o grão-vizir ao pódio das mais emblemáticas narrativas goscinnyanas, com Lucky Luke. Humpa-pá, Astérix...

Por razões que desconhecemos, o primeiro álbum, Le Grand Vizir Iznogoud (1966), não teve edição portuguesa, ao contrário do seguinte As Conspirações do Grão-Vizir Iznogoud (originalmente publicado em 1967), composto por seis narrativas breves. Em “Há rã no Califado”, surge um batráquio que era um príncipe amaldiçoado a precisar de ósculo redentor; porém, quem o beijava transformava-se por sua vez em rã. É claro que Iznogoud entrará nos aposentos do califa com uma ideia bem precisa em mente... Em ”Os olhos dilatados”, Iznogoud assiste num teatro de Bagdade aos prodígios dum hipnotizador que aliciará para sugestionar o bom Haroun-el-Poussah de que afinal é um asno; infelizmente para o grão-vizir, umas simples palmas bastavam para que tudo voltasse ao normal, e o califa para as almofadas. “O filtro ocidental” mostra um alquimista europeu criador duma poção que tornava mais leve que o ar quem a bebesse; cobaia de si próprio foi parar a Bagdade; Iznogoud tudo fará para que o soberano ingira o elixir e que bom vento o leve. “A máquina de viajar no tempo”, tem a curiosa participação do próprio desenhador, Tabary, que parece se atrasava nos prazos de entrega das pranchas... Segue-se “O piquenique” – que lugar melhor para fazer um senão no deserto? Iznogoud convence o califa disso mesmo, pretendendo abandoná-lo à sede. Escusado será dizer que tudo se conjuga para a ocorrência de água de todas as maneiras. Finalmente, “Caçada cruzada”, uma taça encantada faz com que quem beba por ela troque de corpo com quem lha passou. Neste breve obra-prima de humor, Iznogoud vê finalmente coroada a persistência, tornando-se califa no lugar do califa. Mas tal golpe palaciano terá sido bem sucedido?


As Conspirações do Grão-Vizir Iznogoud

texto: René Goscinny



desenhos: Jean Tabary

edição: Meribérica, Lisboa, s.d.

«Leitor de BD», jornal i

sábado, 17 de outubro de 2020

a última rosa do verão


 

Léo tem a ambição de ser escritor. A proposta de um primo para tomar conta da casa de Verão permite-lhe largar Paris e o trabalho numa lava-automático de automóveis e dedicar-se ao sonho que acalenta. A atmosfera é de 'beautiful people', mas desaparecimentos inesperados vêm perturbar-lhe os planos, principalmente quando entra em cena o inspector Beloeil e uma vizinha, demasiado bela, demasiado adolescente: Rosa. La Dernière Rose de l'Été, de Lucas Harari. Edição Sarbacane, Paris, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Carl Barks


A Panini Brasil está a editar clássicos Disney de Carl Barks. O quinto volume, 
Tio Patinhas – As Minas do Rei Salomão, conta-nos uma disputa entre Patinhas e o sobrinho Donald sobre quem encontrará primeiro o tesouro do grande monarca. Estas e outras histórias do criador do Prof. Pardal, dum criador de imaginários.

domingo, 11 de outubro de 2020

Mies



Mies Van der Rohe (1886-1969). A vida de um dos grandes arquitectos do século XX, as aspirações artísticas, a vivência amorosa, a perseguição do III Reich e a ida para a América, recordada pelo próprio em diálogo com o neto. Texto e desenhos de Agustín Ferrer Casas, livro premiado no país vizinho, numa edição Grafito, Valência, 2020.

«Leitor de BD», jornal i

sábado, 10 de outubro de 2020

um homem de palavra


 Tal como o ser humano, também as civilizações temem o fim e elaboram sobre o prazo de validade. Do Antigo Testamento às expedições a Marte, com calamidades naturais, guerras, fomes, pestes, invasões, com tudo isso a humanidade se defronta desde que deu conta de si própria. A arte é fértil, tornando-se´o imaginário pós-apocalíptico uma categoria como qualquer outra, nas suas variantes. E a BD não fica atrás, destacando-se no campo franco-belga, a séries de Simon du Fleuve, criada em 1973 por Claude Auclair (1943-1990) e Jeremiah, de Hermann, em curso de publicação, ambas tendo por base um cenário pós-catástrofe, consequência de guerras nucleares ou conflitos étnicos generalizados.

Le Convoyeur é uma nova série do género, com argumento de Tristan Roulot (Rennes, 1975) e Dimitri Armand (Orleães, 1985), tendo a sua estreia, em Abril deste ano, coincidido em cheio com o início do pânico sentido em boa parte da Europa provocado pela Covid-19, uma curiosa coincidência.

Um vírus desconhecido emerge do centro da terra, atacando os metais, corroendo lentamente todos os utensílios, todas as estruturas edificadas assentes no betão. Recurso agora escasso, os homens têm de readaptar-se, regressando ao couro e à madeira. De pé ficaram apenas as estruturas que vinham do Antigo Regime, os castelos, as fortificações. Mas este vírus interfere também no metabolismo, originando terríveis anomalias e mutações, atingindo elevada percentagem da população. Neste primeiro tomo, intitulado Nymphe, percebemos a pulverização populacional num cenário medieval de paliçadas e castelos coexistindo com vestígios de ruínas da modernidade: carcaças de automóveis, edifícios meio desabados. O poder exerce-se em bandos, havendo ainda uma poderosa organização sacerdotal, cujos contornos não surgem ainda bem definidos neste episódio inicial. Sabe-se apenas que percorrem as comunidades, fortemente armados , à caça de crianças sãs e dos progenitores, capturando-os para futura reprodução de indivíduos saudáveis – a única possibilidade de salvar a humanidade, a procriar seres repelentes (a bela Ninfa, metade mulher, metade aranha é um deles) ou tornada estéril. Na floresta, elemento sempre misterioso e inacessível, vivem predadores cegos, espécie de dinoprimatas da mata, chacinando tudo o que se aproxima da fímbria do seu território

E o herói, no meio disto tudo? O Convoyeur (o distribuidor) é um solitário façanhudo, que aceita todas as missões que lhe são confiadas, aparentemente sem grandes dilemas morais. “A minha palavra é a minha lei”, diz para consigo. Em troca, o contratante compromete-se a engolir um peculiar ovo que aquele lhe oferece... Porquê, não sabemos; não é difícil ver naquele alimento um símbolo de renascimento. Mas respostas para estas e outras interrogações, só nos álbuns seguintes.


Le Convoyeur – tomo 1 – Nymphe

argumento: Tristan Roulot

desenhos: Dimitri Armand

edição: Le Lombard, Bruxelas, 2020

«Leitor de BD», jornal i

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Mulher-Borboleta

 


"Greg" é um mal sucedido autor de autoficção. O editor propõe-lhe a criação de um super-herói diferente, que as minorias possam apreciar. É assim que surge a mulher-borboleta: uma empregada de limpeza negra num laboratório de física, para fugir ao assédio de um cientista esconde-se num acelerador de partículas no preciso momento em que uma borboleta lhe pousa no ombro. Nasce assim a Butterfly-Woman, inimiga dos fascistas, dos racistas, dos machistas, numa homenagem paródica ao universo dos super-heróis. La Femme Papillon, texto de Michel Coulon, desenhos de  Grégory Mardon, Futuropolis, 2020.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

raparigas e marinheiros


Vamos sempre dar a um porto e aos seus bordéis. Depois de O Porto Proibido (Il Porto Proibito, 2015) a sequela parece que foi publicada primeiro em França, pela Glénat: Les Filles des Marin Perdu, cada uma cada noite, num alcouce de Plymouth, contando a sua história. Pelo casal Teresa Radice e Stefano Turconi, também autores Disney italianos (Pippo, Topolino, Zio Paperone – ou seja, Pateta, Mickey Tio Patinhas), num movimento do infanto-juvenil para o adulto, contrário ao de Cosey, autor do poético Johantan, que não se coibiu de desenhar, por exemplo, a Minnie, como já aqui falámos.

«Leitor de BD», jornal i


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

«Stumptown»

 


Uma detective chamada Dex Parios, dona da Stumptown Investigations é também uma dependente do jogo e, lésbica, sorte ao amor ver-se-á. Nomeada para um Prémio Eisner, foi adaptada a série televisiva. O título do primeiro tomo é magnífico: "O caso da rapariga que levou o champô mas deixou o carro". de Greg Rucka e Matthew Southworth, edição G-Floy, 2020.

«Leitor de BD», jonal i

domingo, 4 de outubro de 2020

«O Juramento dos Vikings»

 


Há uma tira de Hagar o Horrível, em que o víquingue criado por Dick Browne, chegado a França para a pilhagem, vê um burguês gritando aos quatro ventos “Cachez vos belles!”, receoso do estupro a que as mulheres estariam sujeitas; quando Hagar vislumbra um estafermo à janela, é o próprio que grita desalmadamente: “Cachez vos belles!” Ah, os víquingues!… Historicamente, Levaram tudo à frente, da Europa Oriental ao Norte de África. Pagãos relapsos por muito tempo, tanto se lhes dava arriar em cristãos como em muçulmanos. Ao rei de França impuseram um extenso domínio, a terra dos homens do Norte, os normandos – essa Normandia que viria a estar na origem da Guerra dos 100 anos... Para deles se proteger, Mumadona Dias, Condessa de Portucale (c. 943-950), mandou erigir uma larga torre que deu origem ao castelo de Guimarães; Mediterrâneo adentro, atiraram os árabes ao mar, criando o reino normando da Sicília...

Hoje voltamos a Peyo (Pierre Culliford, 1928-1992), depois de Kim Kebranoz, e também ao mar, depois de Raven, na semana passada. E a própria pirataria não está de todo ausente, uma vez o autor, belga de pai inglês, é descendente de um flibusteiro do século XVII, Robert Culliford, parceiro e depois inimigo do célebre Capitão Kidd (1645-1701), corsário escocês. Les Aventures de Johan aparecem no jornal belga La Dernière Heure, em 1946. Trata-se de um escudeiro com traços de Príncipe Valente disneyficado, habitando numa Idade Média de transição, por volta do século X, e que ao terceiro álbum, já na revista Spirou, ganhará em Pirlouit – um anão truculento que tem uma cabra por montada – um digno Sancho Pança, ou um Haddock, um Fantásio, um Obélix... Em Portugal tomaram o nome de João e Pirolito.

O Juramento dos Vikings, álbum original de 1958, sem a panóplia de feiticeiros, ogres, gigantes, pequenos seres azuis (os Schtroumpfs apareceram aqui) que caracterizam a série, é um episódio bastante linear: de regresso de uma missão que lhes fora confiada pelo rei, e após uma trapalhada de Pirolito, caído ao mar vestido, os dois amigos são acolhidos por uma família de pescadores. Um dos quatro filhos, pela idade e porte, destoa do resto da família. Não tardaremos a perceber de que se trata de um jovem rei destronado pelo regente, que em segredo fora escondido naquela recanto isolado. Há guerra civil no reino da Snoelândia, e sem noção do que está em causa, julgando ser o rapaz o filho mais velho do pescador, João e Pirolito vêem-se envolvidos numa disputa entre dois grupos – os que querem matar o jovem e os que querem resgatá-lo para que se sente o trono.

A partir daqui, há um corrupio por entre mares e ilhas, enseadas e castelos, espadeirada de meia-noite, em vinhetas que compõem pranchas com um óptimo dinamismo visual.

João e Pirolito – O Juramento dos Vikings

texto e desenhos: Peyo

edição: União Gráfica, Lisboa, 1967

«Leitor de BD«, jornal i