quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

era novidade

Duas figuras minúsculas movimentam-se, ao longe, num qualquer sopé duma zona montanhosa do Oeste americano. Na segunda vinheta distinguimos uma raposa perseguindo uma lebre, até que (3.ª vinheta) "PUM", o predador é abatido, surgindo agachado por entre os arbustos um homem loiro, barba por fazer, chapéu de cowboy e rifle fumegante. Pelo último quadradinho da primeira prancha, verificamos que tem atavios de caçador. Virada a página, Buddy Longway (é dele que se trata) dirige-se para o seu acampamento. Caçador de peles, percebemos agora.
Buddy Longway é uma das grandes criações da BD francófona (Derib é suíço). Neste primeiro álbum (de 1974) o desenho, embora realista, mantém ainda resquícios de influências disneyana, ou por aí, e doutras séries do autor destinadas a público infantil, como Yakari.
Para nós, leitores da revista Tintin nos anos 70, era novidade a disposição narrativa na prancha, vinheta dentro da vinheta, recorrentemente. Novidade seria também assistirmos, nos livros seguintes, ao progressivo envelhecimento das personagens, à constituição de família, à morte...
Derib, Buddy Longway -- Chinook, tradução de Pedro Lopes d'Azevedo, Venda Nova, Livraria Bertrand, 1978, pranchas 1-2.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

P&R [pergunta & resposta] -- José Eduardo Agualusa

Quem é o seu herói de ficção preferido?  Corto Maltese.

José Eduardo Agualusa, "Questionário de Proust", Somos Livros #5, Novembro, 2013.




terça-feira, 3 de dezembro de 2013

VROOAP

Este álbum preencheu uma boa parte do meu imaginário infantil. Lembro-me de que ainda estava na primária quando o recebi. A capa, estranha, o piloto de espada na mão em luta com um cavaleiro medieval embuçado e envergando uma cota de malha; a vinheta do frontispício, três bólides subindo uma rampa em direcção a um castelo penumbroso, causava também sensação... Mas as duas primeiras pranchas eram do mais trivial Vaillant: uma panorâmica do circuito de Nurburgring, Michel Vaillant e o inevitável Steve Warson no meio de ases do volante da vida real e o deslumbramento um bocado cabotino de Jean Graton pelo glamour [ler glaimôr, por favor, e não glámúr...] dos circuitos. Salvam-se os carros (o Mercedes descapotável da menina que aparece na última vinheta da prancha 2 justifica-se, como se verá), mais as características onomatopeias dos motores a rugir: VROOAP VROOAP !...

Jean Graton, Michel Vaillant -- Os Cavaleiros de Koenigsfeld [1967], trad. C. rodrigues, Venda Nova, Livraria Bertrand, s.d., pranchas 1-2.